Eficácia da Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva (EMTr) em pacientes com doença de Parkinson e deprimidos
Felipe Fregni e colaboradores
Neurology. 2006, June; 66 (11):1629-1637

Para verificar a eficácia da Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva (EMTr) em pacientes com doença de Parkinson e deprimidos Felipe Fregni e colaboradores estudaram 42 pacientes. Esses pacientes foram divididos em 2 grupos; um deles recebeu o tratamento com Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva mais um medicamento placebo (grupo 1) e os outros rreceberam também Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva juntamente com fluoxetina na dose de 20mg/dia (grupo 2).

Todos os pacientes receberam Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva de 15 hertz por 10 dias. Para essas estimulação foi usada uma bobina especialmente projetada do sham.

Houve avaliação clínica para a doença de Parkinson (UPDRS), para as atividades da vida diária (ADL), para a depressão (Hamilton-HRSD e de Beck-BDI) e o exame mental (MMSE).

Os resultados mostraram que o HRSD e BDI foram melhorados à mesma extensão
em ambos os grupos após 2 semanas do tratamento (38% e 32% para o grupo 1 e 41% e 33% para o grupo 2, respectivamente). Não havia nenhuma diferença significativa na continuação (semana 8) nas contagens de HDRS e de BDI comparadas a 2 semanas em ambos os grupos.

Na oitava semana havia uma tendência a uma contagem maior na avaliação motora do Parkinson (UPDRS) no grupo 2, mas a diferença não foi significativa. A atividade da vida diária (ADL) mostrou uma melhoria significativa na oitava semana somente no grupo 1. O estado mental (MMSE) foi melhorado significativamente em ambos os grupos após o tratamento, entretanto, no grupo 1 a melhora foi mais rapida do que o grupo 2. Os pacientes no grupo 1 tiveram significativamente menos efeitos adversos do que pacientes no grupo 2.

A conclusão foi que a Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva têm a mesma eficácia do antidepressivo quando comparado à fluoxetina e pode ter a vantagem adicional da melhoria motora e cognitiva com poucos efeitos adversos.

Introdução

(tradução Carmen Sylvia Ribeiro)

"Depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum em Doença de Parkinson(PD). A prevalência de depressão em PD varia em diferentes estudos, mas pode afetar em torno de 40% dos pacientes. Depressão representa um importante fator para a qualidade de vida do paciente com PD, causando impacto sobre atividades de vida diária, porém permanece freqüentemente sem tratamento, talvez devido à moderada intensidade, além de eventos como suicídio serem raros nestes casos.

Opções de tratamento em PD incluem antidepressivos e terapia eletroconvulsiva (ECT). Há uma preocupação à respeito da relativa eficácia e tolerabilidade de antidepressivos para pacientes com PD. ECT tem uma excelente ação antidepressiva e pode conduzir a uma melhora motora em PD, entretanto está associado a mudanças do estado mental, incluindo estados fusionais e delirium transitório, afetando em alguns casos, em torno de 50% dos pacientes.EMT é uma técnica não invasiva, bem tolerada,para a estimulação cerebral. EMT pode ser uma alternativa menos invasiva à ECT, sem os efeitos cognitivos indesejados do ECT. Muitos estudos relatam propriedades antidepressivas de EMTr em pacientes com depressão maior.

Revisões recentes sobre a eficácia antidepressiva da EMTr tem alcançado diferentes conclusões, desde aquelas que reforçam o efeito antidepressivo, até aquelas que demonstram que há dados insuficientes para tomar conclusões definitivas.

Certamente as pesquisas devem ser intensificadas com a finalidade de clarear esta questão. EMTr tem sido igualmente utilizada para tratar sintomas motores em PD. Pascual-Leone et al, primeiramente descreveram uma melhora na performance motora durante 5Hz EMTr no córtex primário motor(M1), em 6 pacientes com PD. Entretanto, Ghabra et al, em um estudo cuidadosamente conduzido com um grande número de pacientes, não confirmou os resultados deste estudo piloto.

Estudos subseqüentes aplicando EMTr no córtex motor descreveram achados variáveis, alguns com evolução positiva outros não.

Dois estudos encontraram uma melhora da função motora de pacientes com PD após 0,2Hz EMTr aplicados em área pré-frontal.

Estudos em animais e indivíduos saudáveis, utilizando ressonância magnética, demonstraram que a EMT focal sobre o córtex pré-frontal induziu a um aumento de dopamina no estriatum. Entretanto, a utilidade da EMTr em PD permanece incerta.

No presente estudo, nós exploramos a questão do quanto EMTr poderia ser útil em pacientes com depressão por combinar propriedades antidepressivas com alguns benefícios motores. O único estudo que investigou o uso de EMTr. Para tratar depressão em PD, foi um estudo aberto com 10 pacientes que demonstrou uma redução significativa de na escala Hamilton(HDRS), e moderada melhora na função motora após dez dias de EMTr lenta.

Nós apresentamos resultados de um estudo duplo cego, randomizado, com controle de estimulação simulada em 42 pacientes com PD e sintomas depressivos."

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