Justificativa: A EMT é uma técnica não-invasiva, indolor, simples de ser aplicada e de baixo risco, utilizada na investigação e modulação da excitabilidade cortical em humanos. O laboratório de Neurociências e comportamento da UnB vem se destacando no estudo de aplicações clínicas desta técnica em neurologia e em psiquiatria. Métodos: Baseada na lei de Faraday, a técnica utiliza um aparelho capaz de produzir intensa corrente elétrica, que percorre uma bobina posicionada em ponto estratégico no couro cabeludo, gerando um campo magnético da ordem de 2 Tesla (aproximadamente da mesma intensidade do campo magnético estático produzido em um aparelho de ressonância magnética), com linhas de fluxo perpendiculares à bobina. A mudança rápida de intensidade deste campo magnético será capaz de induzir, dentro do crânio, um novo campo elétrico, com capacidade de promover correntes secundárias (de cerca de 100mV/mm) no córtex cerebral, em um plano paralelo à bobina. As correntes secundárias levam à uma despolarização de membranas celulares e, conseqüentemente, à ativação neuronal. Resultados: Em uma série de 5 pacientes, sendo 3 deles com distonia e 2 deles com dores crônicas, obtivemos um total de 4 respostas de alívio de sintomas, com duração do alívio proporcional ao número de sessões, em dias consecutivos, aplicadas, em baixa freqüência, com uma bobina magnética em forma de 8 (de modo a induzir uma redução da excitabilidade cortical de forma focal), sobre o córtex pré-frontal direito ou pré-motor esquerdo. Conclusão: A EMT é uma abordagem que apresenta grande potencial como instrumento de pesquisa e terapêutica em neuropsiquiatria e tem sido aplicada, por exemplo, para tratamento de depressão, epilepsia, doença de Parkinson, distonia, acidente vascular encefálico (AVC) isquêmico e esquizofrenia. |