Estimulação magnética cortical em pacientes com incontinência urinária de esforço genuína: correlação com resultados de exercício para o assoalho pélvico
Gunnarsson M, Ahlman S, Lindstrom S, Rosen I, Mattiasson A
Neurourol Urodynam, 18: 437-445, 1999

· Objetivo: Verificar a associação da resposta à estimulação magnética transcraniana (EMTC) sobre a musculatura do assoalho pélvico, com os resultados obtidos com exercícios para o assoalho pélvico em pacientes com IUE genuína e controles.
Métodos: Foram avaliadas 18 mulheres com IUE genuína (9 com boa resposta aos exercícios e 9 sem resposta), e 12 mulheres saudáveis, pareadas por idade e paridade formaram o grupo controle. A avaliação consistiu do exame clínico da musculatura pélvica, eletromiografia (EMG) circunvaginal e mensuração da latência motora terminal antes e durante a estimulação magnética transcraniana.
Resultados: Embora as pacientes que não responderam aos exercícios tivessem uma redução moderada da atividade eletromiográfica do assoalho pélvico, esta diferença não foi estatisticamente significante. Com a EMTC houve maior probabilidade de resposta (p > 0.0002) e maiores amplitudes de resposta eletromiográfica no grupo que respondeu aos exercícios (165 ± 108mV) quando comparado ao grupo que não respondeu (86 ± 36mV) e grupo controle (93 ± 39mV) (P = 0.04). Não houveram diferenças de latência motora entre os grupos.
Conclusões: Parece haver uma maior atividade facilitadora corticofugal, sobre a musculatura do assoalho pélvico, em pacientes com IUE genuína que respondem ao tratamento com exercícios do assoalho pélvico quando comparadas às que não respondem a aos controles.
· Comentário Editorial
Ainda não são claras as razões pelas quais os exercícios pélvicos são tão bem ou malsucedidos em pacientes, clinicamente indistinguíveis, com IUE. Este trabalho, muito bem planejado e elegante, demonstra, utilizando uma tecnologia nova, que a razão para a não-resposta pode estar não somente na lesão muscular e nervosa periférica associada ao parto vaginal mas também no controle cortical da musculatura pélvica. Seria muito interessante que este controle pudesse ser avaliado por uma metodologia economicamente mais viável que a EMTC, para que a avaliação do controle cortical do assoalho pélvico possa ocupar um lugar na avaliação de mulheres com IUE candidatas a tratamento com exercícios pélvicos.

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